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Cogito Ergo Sum – Inteligência Artificial eu sou

 

“Penso, portanto sou”, a frase é antiga, 382 anos de idade, mais precisamente. Faz parte de Discurso sobre o Método do filósofo e matemático francês René Descartes (1596 – 1650). Nesse contexto, Descartes duvida de tudo, das verdades, do real e do imaginário e, para seu próprio conforto, chega à conclusão de que se o humano pensa, ele existe. Ou, se a máquina pensa, ela existe – Inteligência Artificial (IA), que cria fractais de zeros e uns para tentar ser quase humana ou mais humana que um humano.

IA possui infinitas aplicações como o processamento de dados massivo (Big Data), encontrando ali a agulha no palheiro digital para melhorar processos ou descobrir combinações aleatórias que a “bombe” de Alain Touring nem poderia imaginar com seus movimentos eletromecânicos. Ou perceber entre milhões de pacotes e pings uma anomalia que significa um ciberataque a rede de uma empresa. Ainda, talvez o mais popular, reconhecimento facial para encontrar uma criança perdida após 20 anos calculando seu envelhecimento.

Esta tecnologia está dando os primeiros passos, ou melhor, começando a engatinhar para seu potencial máximo. Chegaremos ao dia em que uma máquina realmente terá a capacidade de conversar com um humano. Veja bem, eu não me refiro a Alexa, Siri, Cortana ou “OK, Google”, que apenas falam, mas sim algo mais parecido com Roy Batty (Blade Runner) ou HAL 9000 (2001: Uma Odisseia no Espaço).

Os assistentes pessoais, apesar de serem impressionantes por suas capacidades, processam, ligam e desligam 0 e 1, 1 e 0. A AI da ficção cientifica, que nada mais é do que um reflexo colorido neon de nossa realidade, intui e pensa. Processar, não é pensar.

Nos “and, or, if” não há a função “create”. O machine learning e AI atuais encontram, combinam e calculam baseados em programação, direções e funções. A brincadeira ficará mesmo interessante quando eles criarem algo, pensarem, existirem – Cogito Ergo Sum.

Inteligência artificial e comunicação

Mas, não precisamos ansiar o amanhã para aproveitar o agora. Na comunicação, uma máquina ainda não faz um texto decente – ok, milhares de textos da Wikipedia foram feitos com AI/Machine Learning, mas não vá esperar uma análise política e social sensível do Sr. Watson (IBM), provavelmente a máquina mais inteligente criada por pessoas até hoje. No entanto, a AI ajuda a comunicar. Já podemos analisar e descobrir o lugar certo, a audiência certa e momento certo para inserir uma mensagem.

Se usarmos AI em comunicação, pasmem, ela se torna mais humana. A partir da leitura de dados e análises, não estaremos simplesmente injetando informações nas pessoas e muito menos falando apenas o que elas querem ouvir. O ponto chave é ficar na metade do caminho, com a informação de uma maneira inovadora, mas de modo que seja algo que as pessoas vejam como útil – se falarmos o que elas querem ouvir, não será algo novo, apenas mais do mesmo. Mais do mesmo é chato, enquanto disruptivo demais é assustador, e o antigo já foi.

Concluindo, a AI pode ajudar a comunicação a encontrar o ponto em que os conteúdos serão utilizáveis por todos aqueles que o receberem, uma reconstrução desconstruída de E/M/R (Emissor, Meio, Receptor) para algo um pouco diferente, E-AI/M/R.

O real assessor de imprensa cria, planeja e contribui. Para isso, precisa buscar junto ao seu cliente como criar essa nova informação. Imaginem então, quando a AI puder sentar do nosso lado: “HAL, as informações deste press release podem agregar conhecimento para quais pessoas?”