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O martírio da geração “X” e o século 21

Novos conceitos que têm se tornado referência para treinamentos de porta-vozes, relação com imprensa e demais stakeholders

 

Recentemente li a notícia de que o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, solicitou às escolas que filmassem as crianças cantando o hino nacional como parte de uma campanha do MEC para incentivo à valorização dos símbolos nacionais. Imediatamente lembrei da minha infância, na década de 70, quando hasteávamos a bandeira e cantávamos o hino nacional antes das aulas – sem que ninguém precisasse documentar o fato. Concordo que a ação pode vir a contribuir para o sentimento de pertencimento de uma nação e fazer despertar o orgulho e o amor à pátria…só confesso que fiz isso durante anos e não ajudou muito, ou seja, meu orgulho à pátria continua profundamente adormecido.

Essa história toda também me fez lembrar que pertenço a um grupo demográfico bastante confuso: a geração “X”, aquela dividida entre os baby boomers e os nativos digitais millenials. Minha geração vive uma grande transição, de ter sido parte de uma ditadura militar e ver nascer aqueles que clicam um mouse antes mesmo de ter o primeiro livro. Para mim esse “x” traduz exatamente o que é essa geração…um pouco de cada grupo, tentando sobreviver entre o passado e o futuro, como um elo perdido. Não é tarefa fácil saltar da geração da minha mãe – que não trabalhava fora de casa, não sabia dirigir e não tinha conta em banco – para o da minha filha, que aos quatro anos já programava o modem da tv à cabo e o tablet melhor que o suporte técnico de nível 3 da Apple.

Comportamento e comunicação

Seja de qual geração você for (baby boomer, X, millenials, Y ou Z) passou da hora de nos rendermos ao século 21. Para dar esse salto definitivo rumo ao futuro, será necessário reprogramar os sistemas internos e rever conceitos sobre o rosa e o azul. Haja visto Zigmunt Bauman, que nos mostra uma modernidade líquida que impacta todos os aspectos da vida humana, dando sinais claros de uma sociedade confusa, dinâmica, propensa a mudar com rapidez e de forma imprevisível – e onde emergem o individualismo, a fluidez e a efemeridade das relações.

Como filhos dos baby boomers, nascidos entre 1965 e 1981, a geração “X” é a primeira a ter pais divorciados, a assistir as mulheres ganhando espaço no mercado de trabalho, a utilizar micro-ondas, computador pessoal e videogames. Crescer nas décadas de 70 e 80 também permitiu conhecer perigos como aids, crack e a violência urbana.

No campo da comunicação, também houve mudanças. Neste século, lidando com nativos digitais, algumas premissas emergiram e ganharam relevância junto à sociedade, tais como: ser verdadeiro; confiável; fazer parte; pensar de forma plural; considerar a mobilidade como algo 24 horas; ter a consciência que nenhuma versão é definitiva; pensar à frente; sonhar grande e ser colaborativo. Esses são alguns conceitos que já são utilizados em diferentes campos da comunicação e se tornaram referência nos novos treinamentos de formação de porta-vozes e relação com imprensa e demais stakeholders.

Com tudo isso, posso concluir que pertencer à geração “X” é ser sinônimo de resiliência. Só não podemos piscar…para acompanhar o ritmo dos millenials e fincar o pé definitivamente no século 21.