Papel dos dados na comunicação corporativa em um novo momento digital

Um novo universo em construção

Em um cenário de abundância de dados no qual vivemos hoje, é interessante refletir o papel da Comunicação neste momento em que debatemos tendências irreversíveis como Inteligência Artificial (IA) e Aprendizado de Máquina, da expressão em inglês Machine Learning (ML). É inegável que o avanço digital das últimas décadas transformou a sociedade como um todo. A inserção da tecnologia nos processos sociais, educacionais, produtivos e cognitivos transformou o cotidiano de milhares de pessoas em todo o mundo. No jornalismo, essa transformação reformulou a produção de notícias. Agora, instituições e indivíduos de todo o globo geram milhares de dados o tempo todo, o dia inteiro. O jornalismo, em sua função de defender o interesse público, está sendo produzido e pautado a partir dessa multiplicidade de plataformas e acompanha a velocidade das informações geradas nas redes sociais. Hoje, depois de passar pelas mídias tradicionais, a notícia também é replicada em alta velocidade, com interações, comentários e compartilhamentos em todo o mundo. Vimos essa velocidade aliada à flexibilidade das plataformas nas eleições presidenciais deste ano.

É fato: o mundo já mudou e agora precisamos apreender essas transformações e desenvolver novos modelos de negócios que utilizem todo esse volume de dados disponível. E, cabe também aos profissionais de Comunicação transitarem neste Big Data, aliando o uso dos sistemas automatizados à interpretação histórica e sociológica inerente ao processo jornalístico, que sempre busca por histórias fundamentadas em fatos, fontes e informações. Os algoritmos existentes hoje manipulam os grandes volumes de dados gerados e armazenados fazendo sua tabulação, identificação e organização. Então não só precisamos saber obter os dados deles mas, principalmente, entender a lógica pela qual esses dados são organizados.

Saad Corrêa e Silveira (2017) acreditam que o desenvolvimento das atividades comunicativas no cenário de complexidade e ubiquidade digital hoje é fundamentado em três pilares-chave: centralidade, transversalidade e resiliência. A centralidade, como um reflexo direto do papel que a ação comunicativa assume nas relações sociais, possibilita a participação ativa dos usuários em rede, quebrando a lógica clássica do processo comunicativo (emissor-mensagem-receptor). Na transversalidade, o foco é a própria ubiquidade da rede, que atua simultaneamente nos processos que operam as atividades comunicativas, nos sistemas que integram etapas fragmentadas, nos dispositivos convergentes e nos próprios produtos midiáticos. À resiliência, aplica-se uma condição de adaptabilidade de toda a estrutura da comunicação, suas teorias e práticas nesse cenário fluido em saberes e mutante em suas bases técnicas. Para as autoras, “o meio ubíquo implica em um modus operandi comunicativo mais criativo e inovador e menos reprodutivo de práticas tradicionais e conservadoras, pouco adequadas ao ambiente” (SAAD CORRÊA; SILVEIRA, 2017, p.13).

A busca por essas novas competências do profissional de Comunicação hoje é baseada na questão essencial – como é possível transitar nesse novo mercado e quais qualificações e habilidades são necessárias para que esse trânsito aconteça de forma fluida? Este novo meio implica um formato inovador, que vai muito além das práticas profissionais existentes. É um novo universo em construção.