fbpx
loader

Atire a primeira pedra quem não ficou contando os votos das eleições dos Estados Unidos (EUA), principalmente os da Flórida, com a interminável apuração em Nevada, a indecisão em Arizona ou ainda com as viradas em Michigan e na Georgia.

Isso sem falar no choque cultural que temos de quatro em quatro anos com nossa outra metade americana. Lá a apuração demora alguns (vários) dias, o voto não é obrigatório e, além disso, as pessoas podem votar via cartas (!?). Isso que ainda nem chegamos na parte de que nem sempre quem tem mais votos é o vencedor.

Para nós que gostamos de Comunicação e Tecnologia, todo ano de eleição é um momento de reflexão e estudo para entender mais sobre marketing político. Quando é um pleito que mexe com todo planeta, fica mais interessante ainda. E fica sempre a questão: o que podemos aprender com a eleição dos EUA?

Conteúdo ainda é fundamental nas eleições

A agressividade de uma eleição americana é um traço bastante marcante. No entanto, a qualidade do conteúdo explorado pelos candidatos ainda é o que dá o tom à corrida, tanto no âmbito da imprensa, quanto no digital. Ou seja: a pauta que se trabalha ainda é fundamental e, hoje, com toda tecnologia envolvida em mensuração de dados, qualificação de opiniões, definição de personas e entendimento mais assertivo dos principais interesses das pessoas, faz com o que o trabalho necessário tenha precisão cada vez mais cirúrgica.

Offline X Online

O mapeando de palavras-chave pelas ferramentas de analytics e utilização das técnicas de SEO, dentre outras abordagens, mostram a relevância das agências de comunicação e dos profissionais envolvidos no processo.

Não muito tempo atrás, o importante era estar somente bem posicionado em grandes veículos de mídia, como televisão, rádio e no meio impresso. Hoje, a disrupção dos modelos comunicacionais impulsionados pela internet e pelas redes sociais também traz luz para este fundamental lado construtor de reputação.

Ressignificação e potencialização nos Estados Unidos

O Washington Post foi comprado em 2013 pelo bilionário e fundador da Amazon, Jeff Bezos. Os primeiros três anos da publicação, que vinha em franca decadência, foram de reconstrução, reposicionamento e, a partir da eleição americana de 2016 (que elegeu Donald Trump), passaram a ser de ressignificação do que seria o tom do jornalismo e potencialização das redes sociais e da internet. Basicamente: os trejeitos cisudos da imprensa tradicional mesclados com a flexibilidade e versatilidade do ambiente digital.

Ao contrário do resto da imprensa que passava por demissões coletivas e fechamento de escritórios, o jornal aumentou o número de funcionários em 30%, chegando a ultrapassar o poderosos New York Times em acessos pela internet. Foi laureado como a publicação mais inovadora do mundo pela Fast Company, uma das mais importantes fontes de informação do mercado digital e colecionou quatro prêmios Pulitzer.

O ComScore divulgou que, em outubro daquele ano, que o Post teve 99,6 milhões de visitantes únicos em seu site – um aumento de 49% em relação ao ano anterior (o New York Times teve 101,4 milhões de acessos).

Já o vencedor do pleito, de acordo com um estudo da MediaQuant, se beneficiou do equivalente a 5,2 bilhões de dólares em mídia espontânea durante toda a campanha eleitoral.

Depois das eleições, as assinaturas de jornais e revistas dispararam no país. A New Yorker registrou 10 mil novos leitores em três dias; o New York Times, 41 mil em seis dias; o Wall Street Journal teve um aumento de 300% nas vendas.

As eleições americanas são um verdadeiro marco que definem como o mundo da Comunicação irá performar nos anos seguintes. A cada pleito nascem novas estratégias, novas abordagens e novos desafios que certamente passarão por melhorias e adaptações para serem aproveitados pelas pessoas e empresas.


Lucas Oliveira

Lucas Oliveira

Lucas Oliveira é especialista em comunicação corporativa para empresas de TI e Telecom. Ao longo de sua carreira, foi assessor de imprensa da TIM Brasil, além de passagens por órgãos governamentais e empresas privadas. Atuou também na RBS TV (afiliada Rede Globo no RS), além de Estadão (SP) e na comunicação do Grêmio Football Porto Alegrense.